O português é um povo sonâmbulo. Caminha mas parece que está sempre a dormir. Podem fazer a maior das atrocidades ao lado dele mas desde que não lhe afecte nada faz, mas queixa-se quando lhe toca e fica ofendido por ninguém o ajudar. É um povo que espera que lutem por ele, sem reacção, sem dinamismo para tentar mudar o rumo das coisas, mas fica invejoso quando outros conseguem, mas contente se a vitória dos outros lhe for beneficiar também, mesmo não tendo mexido uma palha para a merecer. É um povo que espera que os sindicatos lutem por ele, esquecendo-se que o sindicato não é uma estrutura são os trabalhadores, sem nada fazer para dar força ao sindicato. É um povo que tomou por adquirido os seus direitos e não luta por os manter. É um povo que se queixa do poder, do governo, do presidente, mas não usa as armas que a democracia lhes deu, o direito a uma greve, a uma manifestação, os outros que façam e se manifestem. É um povo que se queixa do Estado mas que se esquece que o Estado somos nós, o povo, e que além das armas que referi atrás temos outra, o voto. Somos nós que os elegemos, somos nós que os tiramos de lá. Somos um povo que elege os seus governantes, mas que depois ninguém assume o seu voto, principalmente o seu erro. Somos um povo onde muitos ainda não perceberam onde está o poder.
