Sei que tenho deixado este espaço ao abandono, que até pode parecer que os calos não andam a ser pisados, mas andam e não são só os calos. Todo o corpo anda a ser espezinhado sem qualquer respeito por quem tem de cuidar dele. Não tenho vindo aqui queixar-me dos calos doridos por cansaço, não de lutar, não de mostrar o desagrado, mas por ainda lutar e mostrar desagrado, de passar grande parte dos dias a informar de todas estas alterações laborais, sobre toda esta austeridade que nos impõem. Por passar os dias assim, a informar, a recolher informações, a fugir com os meus calos de pés alheios, que depois já nem me apetece mais em falar nem ouvir de crise, austeridade, roubos.
Mas o espaço está cá, sempre à espera que o meu calo resolva dar sinal e solte a língua através dos meus dedos. Está sempre à espera de outros calos doridos que queiram ter voz e que desejem mostrar que neste calo não pisam mais.