Passou um semana turbulenta. Turbulenta em notícias e em reações quentes.
A greve passou e não consegui dizer nada sobre ela, sem saber também o que pensar e onde me colocar. Ouvi, das mesmas pessoas que nunca fizeram greve, "desculparem-se" que não faziam greve por falta de dinheiro, a resposta que invariavelmente recebem é "Eu tenho muito dinheiro e por isso quando faço greve é porque já não sei o que lhe fazer"
Primeiro estou fartinha destas desculpas, não fazem greve ponto. Ninguém precisa de se desculpar, e não precisam de lembrar que não vamos receber esse dia. Embora eu saiba que para muitos, mas muitos dos que até iam reagindo, esse dia sem receber iria sair mesmo muito caro.
Segundo, não consegui mesmo posicionar-me em relação a esta greve. Não concordo com o raio do acordo bipartido, não concordo com alguns direitos adquiridos atirados para o charco e não concordo que paguem todos pelos abusos de alguns.
Terceiro, entristece-me ver que muitos não se identificam com as forças sindicais. Se não fossem os sindicatos já teriam certamente feito picadinho dos trabalhadores, mas alguma coisa está a falhar, algo que não consigo identificar com precisão, mas está lá, a moer, a desgastar as forças sindicais que mais parecem, desculpem-se a analogia um "F. Clube do Porto" e um "S. L. Benfica", com os adeptos a puxarem cada um para seu lado em campos opostos.
Enquanto as Centrais sindicais não se unirem talvez não conseguirão unir um povo desfeito, esmigalhado e sem presença de espírito para reagir. Fartos de greves soltas vendo que nada do que fazem trará mudança. OK! Mas então o que fazer?
Muitos respondem-me que não vale a pena fazer nada porque "eles" fazem o que querem. Pois fazem. E porquê? Porque nós deixamos, porque o povo não está unido e a última vez que esteve foi há 38 anos perdidos na memória.
Odiei as imagens de vi da carga policial aos manifestantes que, arruaceiros ou não, não deveriam ser levados a ferro e fogo.
Desde quando a violência é resposta?
Quando via as imagens pareciam inacreditáveis, parecia-me que não eram em Portugal, dito País de brandos costumes. Pois é! Mas as coisas não estão brandas.
Apeteceu-me ter a força e o jeito para organizar manifestações. Mas não uma manifestação qualquer. Uma manifestação do povo, sem centrais sindicais e sem forças políticas de oposição. Sem faltas a trabalho, porque sei que muitos não podem, num fim de semana em que as pessoas deixassem por um dia de se sentirem sós e passassem a sentir-se parte de um povo que está a sofrer, isto porque alguém andou a abrir as mãos e a gerir mal a esperança que lhes depositamos com confiança. Num dia em que as pessoas deixassem de ser abstémias, como tem sido hábito em altura de eleições. Num dia em que nos sentíssemos unidos. Pode ser que não possamos fazer nada, mas estamos juntos nesse nada que não podemos fazer!
Uma "manifestação do silêncio", o silêncio em que estamos, o silêncio que achamos que temos que estar, por medo, coagidos, talvez porque sentimos que as forças se estão a esvair, porque se pensa que não vale a pena. Sem marchas, sem palavras, sem entrevistas, com as pessoas sentadas e nos pontos principais de cada capital de Distrito, com as pessoas a fazerem o que fazem todos os dias, e que se tem vindo a fazer nestes anos todos, a estarem simplesmente em silêncio e com o olhar perdido na esperança, na esperança que isto passe depressa e que ainda estejamos de pé no fim!
Um silêncio por uma Europa sem rumo certo ou com um rumo perdido algures na força do capitalismo.
Com os calos a doer, mas em silêncio porque talvez assim ouçam melhor a força que ele tem!
Pode ser que alguém com mais força do que eu consiga motivar um povo, consiga unir pelo silêncio o que esta desfeito por palavras.
Não podia deixar de comentar esta notícia. Parece que os desempregados irão ter descontos na cultura. Cinemateca, Teatros nacionais e Companhia Portuguesa de Bailado irão fazer preços acessíveis a quem comprove a sua situação de desempregado.
Já os estou a ver, de papel na mão, passado pelo Instituto de Emprego ou Segurança Social a dizerem que estão desempregados e que querem gastar os míseros euros no teatro em vez de os usar a comida.
Ai Portugal, Portugal, arranja mas é condições para se trabalhar em vez de medidas que não irão ser usadas.
A ultima do Miguel Relvas foi dizer que sobre o o facto de a TAP e a CGD não sofrerem os cortes salariais conforme está estipulado em orçamento de estado, não sendo um regime de excepção mas sim uma adaptação. Juntando com a frase do Pedro Passos Coelho sobre um empréstimo ao BPN de 300 milhões de euros, que este não era um empréstimo mas sim uma linha de crédito. É como dizer, "querida eu não te estou a trair, estou a partilhar experiencias sexuais com outras".
O que me espantou também foi as explicações de tal excepção sobre a TAP, é uma empresa com concorrência e em plano de privatização. Agora expliquem porque razão, uma empresa como os CTT por exemplo, porque há outras, que estão têm concorrência e está prevista a sua privatização, não são abrangidos por tal "adaptação".
Com estes no governo cada vez há mais filhos da mãe e filhos da p.........., enteados.
Hoje li no jornal público a notícia que relaciona o excesso de mortalidade, para esta época, com a crise. Admira-me que tivessem de precisar de especialistas para ver o que quem quer ter olhos observadores vê!
Atribuem este número de mortes ao frio extremo. Frio que as pessoas sentiram porque já não conseguem pagar a elevada conta de eletricidade e de gás. Frio que as pessoas sentem com as decisões gélidas da economia.
Mas será que não se vê ou não se quer ver que as pessoas neste momento estão com a corda ao pescoço o cinto sem buracos para apertar mais e a língua de fora!!! E gelados por dentro.
O SNS está a morrer também, quando irão os especialistas dar conta?
Estamos a morrer, a ficar deprimidos, e isso meus caros senhores até vos dá jeito. Assim conseguem diminuir o número de desempregados, o número de reformas que o Estado paga e o número de comparticipações nos medicamentos.
Estamos a fazer-vos o jeito! Vamos morrendo para vos fazer um favor...
Como eu costumo dizer, há pessoas que caladas são poetas, e o João Proença é uma delas. Ora ele vir a afirmar que o desemprego pode vir a criar uma grave crise social, quando há semanas ele próprio assinou um acordo onde liberaliza os próprios despedimentos. Ora se ele está assim tão preocupado, porque foi ele assinar tal coisa?
Quando uma central sindical que devia defender os seus trabalhadores, lhes dá facadas destas, o melhor mesmo era calar-se, meter a viola no saco e dar música para outro lado
Com amigos com ele, quem precisa de inimigos.